2.4.20

Melodias de palavras

Ela sabia que por vezes precisava de se isolar do mundo.

Jamais pensaria que este acto tão sublime e precioso para si, traria reflexos a terceiros.

Os mais próximos facilmente reconheciam os sinais, respeitavam.

Os outros julgavam.

Lembrou-se de uma velha premissa e acalmou-se.

Não controlava o comportamento das outras pessoas, mas controlar o seu estava no seu alcance.

Os outros, que a julgavam apenas estavam a fazer o melhor que conseguiam, naquele momento e com os recursos que tinham.

Ao invés, ela sabia que apenas naquele momento e instante apenas tinha que visualizar uma palavra, AMOR.

Não se sentir ofendida com aqueles julgamentos era a base, pois no fundo, os outros, estavam a manifestar o quanto intimamente sofriam e precisavam de ajuda.

Quando a ofendiam, com gestos, palavras e omissões, não se focava no pessoal. Deixava fluir...em amor e perdão. 

Aprendeu que a luz ilumina e que a ofensa nada evoluiu.

 Jamais queria deixar de renunciar ao amor e à possibilidade de evidenciar a vida na sua plenitude, em paz e amor.

E assim se recolheu no seu manto unitário.









30.3.20

Número Dois

Dois.

Eram dois.
Foram dois.
Seriam dois.

Anos e vidas.

Momentos muitos.

Palavras mais ainda, bem como silêncios.

Agitações, navegações, inquietações, medos e sonhos.

Continuava no dois. Sempre a dois. Acreditava que só assim fazia sentido. Eram dois, já. E pensava que seriam ainda mais dois, vezes dois e mil vezes dois.

Tinha voltado pelo céu escondida no meio de tantos sonhos, via a luz ao final do dia com um encanto e continuava a correr à procura do que o fazia feliz.
Eternamente era um eterno enamorado a valer.

Tinha esperança que este momento seria eternizado. Tinha chegado o momento em que ela mantinha a sua postura de amor, tinha deixado cair todos os muros, abriu as janelas e destruiu paredes.

Havia dias que ele ficava distante...

Tinha medo que o verniz vermelho ofuscasse o belo que viviam. Crenças.