30.1.18

Caminhos, sinais e indefinições...

- "E se tivesses o poder de voltar atrás e de reviver ? O que farias?"...

Pediu-lhe para o levar para para lá, ou para onde ela quisesse!

Afirmava com o cigarro na mão direita que não queria cair novamente, queria sentir-se de novo o puto de vinte anos que acordava sempre com uma energia ilimitada!

Ela riu-se e lembrou-o que a vida apesar de serem os tais dois dias que toda a humanidade faz questão de relembrar diariamente em períodos de stress e de mudanças, cabia a cada um de nós evoluir ou não.

Não valeria a pena andar com rodeios, a culpar terceiros, nem tão pouco se refugiar no álcool e em comprimidos para aliviar os caminhos por si traçados.

Tinham existido sinais que ele certamente visualizou e que os mesmos teriam os devidos destinos. Optou, e a opção é sinal de dualidades ou não.

- "O caminho faz-se caminhando", disse-lhe ela.

Ele mexeu-se na cadeira e descruzou as pernas. Pediu mais uma cerveja e uns amendoins.

A conversa iria prolongar-se mas o estorninho estava cansado e queria recolher...



29.1.18

Estorninho...

Anos passaram e nunca mais soube nada dele.

Sentia um vazio intenso por ter perdido as amarras a uma história que seria a mais bela de todas, nesta vida onde o sol e a lua se cruzam.

Na certeza que os dias iriam continuar como sempre, lembrou-se de transpor o real e conectar-se com aquilo que considera que é a essência do ser humano.

A cara de laranja tinha conhecido um estorninho em plena primavera.

Numa noite amena, começou a ouvir o seu belo chilrear e riu-se.

Há muito que não ouvia uma melodia tão bela e certeira.

Deixou-se envolver nas suas asas e começou a voar sem destino.

O seu bico amarelo, por vezes confundido com o do melro, levou-a para lugares desconhecidos, mas encantados.

As noites passaram a ser dia e as manhãs passaram a prolongar a luminosidade que trazia dessas noites.

Numa dessas noites reencontrou-o.

Não queria acreditar que numa noite de neblina ele estava ali, sentado a beber uma cerveja e a fumar o seu cigarro.
Estava igual a ele mesmo. Olhar distante, perna cruzada e com o seu casaco da Gant azul escuro.
Mais velho, grisalho e com os óculos de massa preta, mantinha a mesma postura de há dez anos.
Estava sozinho.

Aproximou-se com o estorninho.

Fixou-a e disse: " Por onde andaste? Preciso de ti... senta-te aqui, tenho muito para te contar...".