10.3.21

Números...

 Um..

Dois...

Três...

Quatro...

Cinco...

Seis...

Sete...

E ficou por aqui. 

Este número transtornava-o de tal forma que se focava uma vez mais no poder do mesmo, quando pronunciava : sete! 

Sentia uma vibração interna que o inquietava e que se traduzia ao mesmo tempo numa paz interior...era provocador este número, sete!

Ao mesmo tempo, era ele que sempre o acompanhava, para onde quer que fosse.

Um vez mais fazia uma retrospetiva de quase meio século de vida, e visualizava o sete em cada passo decisivo da mesma.

Não o ia desiludir e ser-lhe infiel, quando este sempre esteve ali!

Decidiu que continuaria a navegar com o sete, pois o sentimento pelo mesmo era mais forte do que qualquer outra coisa. Era mais que um simples número.

Era assim...não precisava muito, os traços estavam lá e o amor também.

Continuava assim, a navegar e a vaguear com o sete,  sem saber se um dia ele ficaria para sempre ou não!

Mas vendo bem as coisas isso não era importante no presente...a sua luz era interminável... e sendo assim iria continuar a ir e a vir até cair um dia!

.....SETE.... GRATO!




2.4.20

Melodias de palavras

Ela sabia que por vezes precisava de se isolar do mundo.

Jamais pensaria que este acto tão sublime e precioso para si, traria reflexos a terceiros.

Os mais próximos facilmente reconheciam os sinais, respeitavam.

Os outros julgavam.

Lembrou-se de uma velha premissa e acalmou-se.

Não controlava o comportamento das outras pessoas, mas controlar o seu estava no seu alcance.

Os outros, que a julgavam apenas estavam a fazer o melhor que conseguiam, naquele momento e com os recursos que tinham.

Ao invés, ela sabia que apenas naquele momento e instante apenas tinha que visualizar uma palavra, AMOR.

Não se sentir ofendida com aqueles julgamentos era a base, pois no fundo, os outros, estavam a manifestar o quanto intimamente sofriam e precisavam de ajuda.

Quando a ofendiam, com gestos, palavras e omissões, não se focava no pessoal. Deixava fluir...em amor e perdão. 

Aprendeu que a luz ilumina e que a ofensa nada evoluiu.

 Jamais queria deixar de renunciar ao amor e à possibilidade de evidenciar a vida na sua plenitude, em paz e amor.

E assim se recolheu no seu manto unitário.









30.3.20

Número Dois

Dois.

Eram dois.
Foram dois.
Seriam dois.

Anos e vidas.

Momentos muitos.

Palavras mais ainda, bem como silêncios.

Agitações, navegações, inquietações, medos e sonhos.

Continuava no dois. Sempre a dois. Acreditava que só assim fazia sentido. Eram dois, já. E pensava que seriam ainda mais dois, vezes dois e mil vezes dois.

Tinha voltado pelo céu escondida no meio de tantos sonhos, via a luz ao final do dia com um encanto e continuava a correr à procura do que o fazia feliz.
Eternamente era um eterno enamorado a valer.

Tinha esperança que este momento seria eternizado. Tinha chegado o momento em que ela mantinha a sua postura de amor, tinha deixado cair todos os muros, abriu as janelas e destruiu paredes.

Havia dias que ele ficava distante...

Tinha medo que o verniz vermelho ofuscasse o belo que viviam. Crenças.


1.3.18

Bombordo

O estorninho insistia para ele perceber que nem tudo era estanque..

 - "Não sejas assim tão teimoso, quando ela quer dançar ao som da lua, tu dança pah!

Mas ele continuava a ver os olhos dela, completamente distantes e com imagens desfocadas.

Gritava para dentro, queria deixar de estar encostado à parede, apesar de sentir um mar imenso a entrar dentro da sua alma!

Inundado se encontrava, mas a sensação de bombordo fazia-o sonhar uma vez mais.

Sabia que tinha encontro marcado com ela, mas não sabia se aquilo que tinham tido em comum era suficiente para não crispar um encontro onde tudo poderia acontecer.

Era resistente, mas sentia-se frágil, quando o assunto se resumia aquele ser, tão belo e inquietante!

Resolveu cantar, sair porta fora e envolver-se na chuva...



20.2.18

Folha Verdejante

Tinha que a deixar partir, uma vez mais.

Era imperativo, uma vez que a amava incondicionalmente.

Via que pouco ou não conseguia fazer, pois não queria ser um pai para ela, mas sim um companheiro de vida.

O percurso era dela, as decisões teriam que ser dela, ele apenas estaria presente para fazer o caminho junto dela.

Era isso, porque a amava tinha que a libertar.

Deixar que saísse de casa, uma vez mais, com a mochila às costas e deixá-la ir para onde ela precisava de ir.

Ele continuaria ali, no seu caminho, mas na certeza que o melhor teria feito e dito, porque simplesmente a amava.

Sem mágoa, sem dor, sabia que a imensidão do amor que sentia por ela, o faria ainda melhor pessoa do que já foi e é.

- "Não é para todos" - cantou o estorninho.

- "Pois não, apenas para quem ama com o coração e tem a capacidade de se amar e de conseguir ver para além do que é visível".

Muito mais simples do que parece...e assim voou a folha verdejante...

13.2.18

Letra

Insistia em esperar por ela.

O estorninho dizia-lhe para que ouvisse o coração e para deixar claro na mente aquilo que queria, uma vez que os pensamentos materializam aquilo que queremos.

Ele não ouvia o estorninho.

Insistia em querer subir a montanha sem reforços sentimentais e sem esperança.

Levava lamentos, o passado e pouca água.

- Assim não conseguirás - dizia o estorninho.

Ele, homem robusto, de pouca paciência, não o ouvia.

Fingia que não havia nada, pensava só que tinha chegado o fim e que não havia mais nenhum motivo para continuar a sua viagem.

O pior é que só pensava nela.
Havia um motivo, neste e noutros mundos, pensava.

Sabia que ela tinha crescido com um encanto diferente de todas as mulheres que ele um dia tinha conhecido.

Tinha a certeza que era a tal...mas para isso ela precisava de deixar as sensações passageiras que só continuavam a dar-lhe dor.

Recebeu uma sms dela, abriu a mesma e quando visualizou era uma letra de uma música...sem mais nada.

"Quando tu apareceste Eu estava esquecida Nos perdidos e achados da vida. Mas sentia-me bem Com a cabeça arrumada Não sentia falta de nada. Avisei-te à partida Que a haver algo entre nós Era melhor ter cuidado. Queria viver o presente Queria esquecer o passado. Portanto não me acuses da dor Que dizes sentir agora! Deixa-me só no meu canto, A vida segue lá fora! Quando tu apareceste Eu estava a sair Dos perdidos e achados da dor. E sentia-me bem Com o corpo a descansar Dos altos e baixos do amor. Avisei-te á partida Que um caso entre nós Era sempre perigoso. O meu passado recente Tinha sido doloroso. Portanto não me acuses da dor Que dizes sentir agora! Deixa-me só no meu canto, A vida segue lá fora! Portanto não me acuses da dor Que dizes sentir agora! Deixa-me só no meu canto, A vida segue lá fora! Portanto não me acuses da dor Que dizes sentir agora! Deixa-me só no meu canto, A vida segue lá fora!..."

O estorninho voou e ele foi buscar água.


12.2.18

Sons confusos

O estorninho estava cansado.

Apesar disso, insistia pronunciar o seu som característico sempre que a avistava.

Ela ria e viajava pelo passado dos momentos vividos e partilhados.

Ele fechava os olhos e pensava como é que ainda esperava por ela.

Foi riscando os dias, as noites e tinha a consciência sentida que ainda esperava por ela, porque a amava sem limites, apesar de tudo.

Tudo porque apesar de ser homem, continuava a sentir as borboletas e o seu perfume inconfundível sempre que andava a pé sem destino nas noites de luar.

Tentava ser racional, mas aquele som levava-o para lugares onde se sentia protegido e acolhido.

Conseguia congelar cada som e sentimento que o tinham transposto para realidades onde nunca ninguém o tinha levado antes.

Só queria que ela fosse o que realmente é, só gostava que ela deixasse de uma vez por todas as amarras que a prendiam a momentos tóxicos para ambos.

Queria permanecer e regressar, noite após noite ao local onde ambos são felizes e ficar ali!

O estorninho aparecia novamente assim...ficava parado por segundos e voava...

Assim...assim...fica confuso - pensava ele.