12.2.18

Sons confusos

O estorninho estava cansado.

Apesar disso, insistia pronunciar o seu som característico sempre que a avistava.

Ela ria e viajava pelo passado dos momentos vividos e partilhados.

Ele fechava os olhos e pensava como é que ainda esperava por ela.

Foi riscando os dias, as noites e tinha a consciência sentida que ainda esperava por ela, porque a amava sem limites, apesar de tudo.

Tudo porque apesar de ser homem, continuava a sentir as borboletas e o seu perfume inconfundível sempre que andava a pé sem destino nas noites de luar.

Tentava ser racional, mas aquele som levava-o para lugares onde se sentia protegido e acolhido.

Conseguia congelar cada som e sentimento que o tinham transposto para realidades onde nunca ninguém o tinha levado antes.

Só queria que ela fosse o que realmente é, só gostava que ela deixasse de uma vez por todas as amarras que a prendiam a momentos tóxicos para ambos.

Queria permanecer e regressar, noite após noite ao local onde ambos são felizes e ficar ali!

O estorninho aparecia novamente assim...ficava parado por segundos e voava...

Assim...assim...fica confuso - pensava ele. 


Sem comentários: