
Num destes dias, em mais uma das suas viagens de Norte a Sul do país, encontrou numa área de serviço uma folha de papel, no chão, junto ao caixote do lixo.
No início que ali chegou, reparou que a folha estava amarrotada, era de cor azul, um azul celeste, e tinha uma letra de menina...
Bebeu o seu café. Enquanto acendia o cigarro, olhou novamente para a folha, que estava gasta, pisada e suja...sentiu uma enorme curiosidade e...esboçando um sorriso e um olhar para a direita e para esquerda, baixou-se e pegou na folha.
Abriu-a, e começou a ler as palavras que ali estavam...
"Todos os dias, são maravilhosos, apesar de tudo, o que passo e respiro.
A partir de agora deixo as minhas inseguranças, as minhas dores e penas...
Porque independentemente do que façam e me digam, nada me vai pôr na linha de água!
Ouçam bem aquilo que escrevo e digo, por mais amigos que tenha, por mais amor, só eu sei muito bem o que é deixar de ter paz e não ter a força necessária para seguir em frente!
Sou uma pessoa linda, maravilhosa, e por mais tristezas que ocorram na minha vida...nada me fará desistir desta vida...
É uma luta intensa, de acordes e sons estridentes, mas que me fazem acreditar que a única coisa que posso fazer, é agradecer a mim própria por ser tão forte como sou.
Sempre fui assim, sentir quando tenho que sentir, sofrer quando tenho que sofrer, dizer quando tenho que dizer, sorrir quando tenho que sorrir, discutir quando tenho que discutir, amar quando tenho que amar...é a luta pela minha sobrevivência!
A minha opinião vale o que vale, para quem ouvir o que tenho para dizer...afinal de contas, onde está o segredo de sobreviver neste Mundo?"
Fim da exposição...
Apagou o cigarro com o pé, dobrou a folha, entrou para dentro do carro, e colocou-a no banco do pendura.
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